sábado, 29 de novembro de 2008

Falando sobre os animais e os homens

"Primeiro foi necessário civilizar o homem em relação ao próprio homem. Agora é necessário civilizar o homem em relação a natureza e aos animais", disse Victor hugo, grande escritor, poeta e politico francês. Se achamos terrivel o modo como nos comportamos com nosso próximo no dia é que ainda não estamos atentos como tratamos aos demais seres desse planeta. As barbaridades que se tem cometido por conta de nos julgarmos os governantes supremos desse globo são inúmeras. Nos aproveitamos do titulo de "racionais" para abusarmos tanta da flora, como da fauna, como se destruir e massacrar fosse atestado de poder. Realmente imaturidade humana, pois destruir é facil, qualquer criança faz isso... dificil é construir, edificar, trazer vida onde haja desolação e morte. Os maus tratos tanto a animais domésticos, quanto a selvagens, é demonstração patente de que ainda temos muito a caminhar para alcançar o estado da razão. Podemos ser até muito inteligentes, mas racionais ainda passamos longe, basta ver como se tem usado todo o conhecimento, criando armas, virus, procurando meios de afligir mais dor uns aos outros.
Quantas criaturinhas são retiradas de seu habitat natural apenas para diversão e distração nossa e de nossas crianças. Macacos, araras, tartarugas, lagartos, etc, todos caçados e enfiados em gaiolas (inúmeros mortos nesse processo), para satisfazer as vezes só um orgulho de ter um animal raro de estimação. Claro, muitos podem dizer que é por querer ter perto de si a beleza desses seres, mas acredito não haver maior beleza do que a liberdade da criatura... muito mais bonito um pássaro a voar livre do que enfiado numa gaiola.
Ainda há os que são enviados para experiências em laboratórios, onde são cobaias em testes de perfumes, shampoos, drogas farmocologicas e demais produtos tóxicos nos pobres seres. Segundo pesquisas mais recentes tem sido demonstrado que esses testes objetivando proteger os humanos, melhorar a sua saúde, não funcionam. Um exemplo foi o diurético Selacryn, intensamente testado em animais. Em 1979 morreram 24 pessoas por insuficiencia hepatica causada pela droga, que foi retirada as pressas das prateleiras. Os testes falham simplesmente porque os organismos de homens e animais reagem de forma diferente frente as mesmas substancias. Aspirinas são capazes de matar gatos. Coelhos e cabras podem comer beladona a vontade, mas a ingestão dessa planta pode ser fatal para o homem.

Não podemos encara os animais como se fossem objetos descartaveis ou máquinas que fazemos "funcionar" da maneira que queiramos a pancadas. São seres tão vivos como nós. Segundo os Espiritos Superiores responderam a Allan Kardec no Livro dos Espiritos, questão 597-a, os animais tambem possuem uma alma, mas é inferior à do homem. Mas por ser inferior, no sentido de não possuir a elevação em inteligencia e sentimentos, não justifica-se a agressão e morte deles de forma indiscriminada. Até porque, como dito, eles possuem inteligencia (apesar de voltada para vida material, enquanto a do homem é voltada para vida moral) e germens de sentimentos. Basta vejamos como nos recebem os cães quando chegamos em casa. Certa vez li uma declaração interessante em uma revista. Dizia o escritor Bill Maher, " a razão de eu gostar tanto do meu cachorro é porque quando chego em casa ele é o unico no mundo que me trata como se eu fosse Os Beatles", ou seja, fazendo aquela festa, numa alegria de animar qualquer um. Quantas vezes é comum chegar em casa e ninguem dizer nem "boa noite", por estar vidrado na tv ou na frente do computador. Outro dia assistindo um documentário na cultura que falava sobre lobos, informava que quando eles escolhem uma parceira é para a vida toda, demonstrando uma ligação com ela...
Refletindo sobre o assunto, que merece consideração da parte de todos nós, recordei uma mensagem psicografada pelo médium Francisco C. Xavier, de autoria do Espirito Maria Dolores que pode nos iluminar o coração quanto ao assunto:

HISTÓRIA DE UM CÃO
Maria Dolores

Falávamos de amor, de heroísmo e ternura,
Nos caminhos da Terra, em lutas naturais,
Quando um amigo lembrou: “ não se deve esquecer
O amor dos animais”.
E contou comovido:
- Quando na Terra, um pobre cão rafeiro
Que eu nunca soube de onde vinha,
Fez-se meu companheiro
Na tapera isolada que eu mantinha.
Era um cão vagabundo, um desses cães,
Cujo medo de banho desconsola,
Vendo-lhe a boca enorme e as bochechas caídas,
As crianças chamavam-no Beiçola.
Bernento e preguiçoso, muitas vezes,
Procurei desterrá-lo,
Mas Beiçola voltava e me seguia
Estivesse eu a pé ou trotando a cavalo.
Já não sabia o que fazer do cão,
Que já me habituara a suportar
Num misto de amizade e de aversão.
Certa manhã de Sábado, eu devia,
Ir do campo à cidade,
A fim de resgatar antiga conta
Cujo prazo vencia.
Montei no meu pequira muito cedo
De merenda robusta na sacola,
E pus-me alegremente no caminho
Acompanhado por Beiçola.
Desmontei-me às dez horas para o almoço,
Transportando a merenda para baixo,
Ao pé de velha ponte que cobria
Um pequeno riacho...
Alimentei-me à farta e dei ao cão
Tudo que me sobrou da refeição...
Tomei de novo a montaria
Açoitei o animal para seguir depressa,
O débito a pagar daquele dia,
Mas uma cena estranha então começa.
Beiçola, de ordinário, pachorrento,
Intentava correr, de lado a lado,
Em uivos e latidos...
Depois correu à frente,
Como a querer parar o pequira assustado.
O cão dependurava-se nos freios,
Enquanto eu lhe gritava nomes feios;
Espanquei-o a chicote, mas em vão...
E cansado de vê-lo a pular, doidamente,
Concluir, de repente,
Que a doença da raiva atacara meu cão...
Agi sem medo, rápido e seguro,
Dei-lhe um tiro com o fim de elimina-lo,
De modo a defender-me e a livrar meu cavalo.
Beiçola então soltou doloroso gemido,
Caminhou para trás, claramente ferido,
Enquanto fui em frente...
Mas atingindo o banco e buscando o gerente,
A fim de resgatar a minha conta inteira,
Debalde procurei minha carteira...
No assombro que me toma,
Notei que me faltava grande soma...
Decerto que perdera o dinheiro em caminho
Pois saíra com ele da fazenda...
Deliberei voltar ao local da merenda,
Pedi ao chefe amigo aguardar mais um pouco
E aflito, semi-louco,
Remontei o cavalo e voltei de corrida...
Regressando ao lugar em que estivera...
E o amigo rematou, emocionado:
- Só então compreendi quão ingrato que eu era...
Sabem o que encontrei?
Após seguir pequeno espaço
Todo ele marcado em sangue, traço a traço,
Achei Beiçola já sem vida...
E ao arrasta-lo para um canto,
Vi, sob o corpo dele, a estremecer de espanto,
A carteira perdida...
Ah! Como me doeu o coração
De susto e de emoção!...
Não sei dizer tudo o que sinto,
Por muito que lhes conte,
Meu pobre cão rafeiro,
Cuja lembrança está sempre comigo,
Arrastou-se ferido e, após ganhar a ponte,
Morreu fiel e amigo,
Guardando o meu dinheiro.

Fonte: livro – “Coração e Vida”

Se isso é não ter alma, já nem sei mais o que é uma!! Paz e amor brote em nossos corações!!!


Diogo Caceres

5 comentários:

Conde Vlad Drakuléa disse...

Muito coração e muita vida tens meu amigo, e que Deus faça com que logo esse egoísmo orgulhoso e terrível do Homo Sapiens, apenas mais uma espécie a habitar a Terra, nada mais que isso, venha a ser sobrepujado pelo altruísmo do Alto! Um dia todos nós fomos animais irracionais, continuamos animais, mas será que somos realmente racionais assim??? Não é o que vejo quando o homem diz: "eu sou um homem e não um animal"... Uma frase completamente ilógica e sem sentido, fruto do orgulho desmedido... Só nos resta confiar na Providência Divina e Sua Justiça de ajustamento invencível!
Grande abraço do conde admirado!

Voei..

Eliana disse...

Boa Noite, Diogo

Amei sua postagem.

O cachorro é semelhante ao ser humano. O que difere um do outro é que o animal não conhece dinheiro nem poder e tem a alma inocente sempre, dependendo do dono para viver eternamente, pois não poderá nunca cuidar de si mesmo.
São inteligentes e se ensinados podem nos servir muito.
Tem cachorro para todo tipo.
Infelizmente o ser humano ainda precisa evoluir muito para entender a si mesmo, o seu próximo e os animais.

Palavra de Deus:
Raça honrada qual é? - A raça humana.
Qual é a raça honrada? - A dos que temem a Deus.
Raça desprezível, qual é? - A raça humana.
Qual é a raça desprezível? - A dos transgressores da Lei.

(Eclo 10.19-20)

Um abençoado domingo para todos vocês,
Fiquem com Deus,
Beijos,

FRAN "O Samurai" disse...

Oi Diogo!

O rei da selva, nunca foi o leão, o leão é apenas atração para o verdadeiro rei... O ser humano!

E a selva verde, a cada dia, dá lugar a selva de pedra, de poluição, de cimento, de asfalto...

Onde o importante é o avanço tecnológico da humanidade, enquanto isso a humanidade vai aumentando e as outras espécies vão desaparecendo. Porque um tem que dar lugar ao outro!

Um avanço do ser perfeito! O homem...(assim dizem eles). Nada pode parar a humanidade. O planeta é um enorme ser vivo e a humanidade é um vírus, que vai matando-o aos poucos.

Fazer o que né? Tudo em prol do crescimento dos racionais.

E os animais onde ficam? Não sei se terão lugar para eles futuramente! Talvez em museus, em livros, quem sabe?

A história do cão fiel foi muito comovente e cheia de lições. Afinal um cão é mais fiel que o ser humano, porque ele não precisa de muito para viver, somente de companhia, carinho e um restinho de comida.

Já o homem não! Ele precisa provar para si mesmo, que é o único ser inteligente no mundo!

Tão inteligente que destrói o próprio lugar que vive...

Parabéns pelo excelente post.

Abraço.

Diego! disse...

Estava relendo “Ensaio Sobre a Cegueira”, e fiquei bem atendo ao cão das lágrimas.
Passei boa parte da minha viajem, pensando no olhar dos animais para uma sociedade cega.

A maneira como nos relacionamos com a fauna e flora, ainda será cobrado.
Alguns ainda não se tocaram disso.
Acho que estão esperando os pólos derreterem primeiro!

Até...

Leidiane disse...

Aii qe história liinda!
Vc já leu o livro do Marley? Emociona qualquer um, ameii o post!